BOLETIM INFORMATIVO - O CULTO RODOVIÁRIO
Os transportes públicos começam a despertar, num bocejo dominguesco de quem põe mais uns minutos no alarme. Os autocarros estão atulhados de passageiros, e não constituem em muitos casos uma alternativa viável aos táxis azuis que abundam na asfixiante azáfama asfaltada. Baptizados com divertidos nomes cénicos, épicos ou bélicos, estes veículos transportam quantos couberem, e usam como faixa Bus as bermas de terra ou lama ou lixo. Uns com vidros fumados, outros com os vidros pintados de preto a lembrar, quem diria, vidro fumado.
Por enquanto, deslocar-se em Luanda pesa no dia. São horas de trânsito e manobras taxísticas para poder chegar a qualquer lado. As estradas incham, desincham, primem e comprimem, num acordeão de velocidades que desafina a esquizofrenia buzinante dos motores nervosos e engasgados. Num dia de chuva, alguns rios galgam estradas e bloqueiam quilómetros de acessos, obrigando a longos e desesperados retrocessos. As estradas foram recuperadas num lençol de alcatrão mas a drenagem nem por isso foi pensada, o que provoca margens de lama e lixo, às vezes até dois dias a seguir. Também, como não existe saneamento básico generalizado, nos piores dias do ano as fossas vêm cá acima dizer olá.















